3.7.10

Belezas da cultura Indiana.





GANGOTRI

A Nascente do Ganges nos Himalayas
por Gurusevananda Dasa

“Oh Ganga devi, suas águas são o néctar do amor a Deus. O mero pronunciar do seu nome inspira serviço devocional ao Senhor Supremo. Por sua misericórdia as pessoas adquirem o gosto pelo cantar dos santos nomes de Krishna” (Caitanya Mahaprabhu).





A literatura védica explica que o Rio Ganges tem sua origem nas águas espirituais do oceano causal, que adentram o universo após terem lavado os pés de lótus do Senhor Supremo. Esse canal de energia espiritual flui através dos planetas superiores na forma da Via Láctea, e então continua aqui na terra como o rio Ganges. Estas descrições aparecem em vários Puranas e são bastante extensas, mas em resumo podemos dizer que as águas do Ganges são a forma liquefeita do amor e compaixão divinos, que providencialmente adentra o universo para purificar todas as entidades vivas e conduzi-las de volta ao lar, de volta ao Supremo.




Desde milhares de anos, na Índia, as pessoas costumam peregrinar até o glaciar de Gomukha, a origem terrestre do rio Ganges, passando primeiro por Haridwar, o “Portal dos Himalayas”, e subindo por Gangotri, para visitar o templo de Ganga devi. A nascente do rio Ganges fica a 19 Km de caminhada depois do templo em Gangotri. A seguir mostraremos algumas fotos dessa peregrinação.

Haridwar – O “Portal dos Himalayas”







Acima vemos o famoso “ghat” chamado “Hari ki Pauri”, onde milhares de peregrinos se banham todos os dias. Do outro lado do Ganges paira uma imponente imagem do senhor Shiva, a deidade predominante na região.
Rishikesha – “Centro de Yoga e Meditação”




A 24 Km de Haridwar, rio acima, fica Rishikesha, onde nos deparamos com uma atmosfera mais tranqüila, comparada com a multidão agitada em Haridwar. Aqui encontram-se inúmeros ashrams de yoga onde pessoas de toda parte do mundo se reúnem para aprender as técnicas de asanas, pranayama e meditação. Mais uma vez temos a presença do senhor Shiva como o mestre da yoga.

Gangotri – “A Morada de Ganga-devi”




Gangotri é a morada de verão da deidade de Ganga-devi. No inverno o local fica completamente tomado pela neve e as estradas, que já são precárias em condições normais, ficam intransitáveis. Por isso os pujaris descem com a deidade para uma vila mais abaixo no inicio de Novembro, e voltam a trazer a deidade numa procissão no inicio de Maio.



Uma coisa interessante ao redor de Gangotri é que você encontra inúmeras cavernas, quase todas habitadas por yogis que vivem de forma muito austera, desapegados de qualquer conforto material. Alguns deles permanecem aqui mesmo durante o inverno, quando ficam literalmente ilhados dentro de suas cavernas, subsistindo apenas do estoque de arroz, dal e farinha de trigo que precisam administrar por 6 meses. Durante o verão muitos destes yogis e sadhus recebem hóspedes em suas cavernas e são bem amigáveis, mas para poder interagir com eles é bom saber um pouco de Hindi, pois a maioria não fala bem inglês.

A beleza do Ganges aqui é simplesmente indescritível. Mesmo fotos não conseguem capturar o encanto e a energia que Ganga devi manifesta neste local. E para compor o cenário, temos ainda as majestosas montanhas dos Himalayas e agradáveis bosques de pinheiros acompanhando o curso do Ganges. Banhar-se nessas águas é uma experiência altamente revigorante e purificante. 

Gomukha – “A Nascente Glaciar do Ganges”



A caminhada de 19 Km de Gangotri a Gomukha é uma experiência imperdível.. A cada curva do rio descortina-se uma nova paisagem impressionante. Essa beleza é uma criação conjunta da Mãe Ganga com o Pai Himalaya. Durante todo o percurso encontramos pequenos riachos de água cristalina, cheia de prana, para refrescar e matar a sede dos peregrinos. Além do mais, o caminho é todo decorado com rosas brancas e vermelhas, bem como outras variedades de florzinhas, que crescem naturalmente na região. Poucos kilometros antes de Gomukha situa-se o rústico acampamento de Bhojavasa, onde podemos conseguir alimentação e hospedagem.




Ao nos aproximarmos de Gomukha temos uma visão espetacular: de um lado soergue-se o majestoso monte Bhagirathi (6510 m); do outro lado situa-se o imponente Shiva-Lingam (6540 m); e entre os dois vemos um glaciar de quase 100 metros de altura, 4 Km de largura em algumas partes, e 30 km de comprimento. Esta formação nos lembra o rosto de uma vaca gigante, tendo as duas montanhas como chifres e a geleira como sua boca. Daí o nome Go (vaca) Mukha (face ou boca).

Apartir daqui o rio Ganges flui magnanimamente, percorrendo todo o norte da Índia até Ganga-sagar, na Bahia da Bengala. Dessa forma, Ganga-mayi purifica todas as entidades vivas que entram em contato com ela, inspirando-as a cantarem os santos nomes e a praticarem serviço devocional. Sem fazer distinção de espécie alguma, Ganga-devi distribui suas águas para todos, santos ou pecadores, sem esperar nada em retorno. Suas águas ricas em sedimentos minerais fertilizam o solo pelas terras que banham, assim como os devotos do Senhor tornam férteis para o serviço devocional o coração daqueles que com eles se associam. Indesviável, ela segue seu curso até o oceano, assim como os devotos devem seguir sempre rumo a Krishna, a despeito dos muitos obstáculos que possam surgir no caminho. Inspirados no exemplo da rainha Kunti, podemos oferecer a seguinte oração meditando no rio Ganges.
tvayi me 'nanya-vishaya matir madhu-pate 'sakrit
ratim udvahatad addha gangevaugham udanvat'

“Oh meu amável Senhor, permita que as ondas de ternura em meu coração transbordem e fluam constantemente rumo aos Teus pés de lótus, assim como as águas do Ganges fluem rumo ao mar”. (Srimad-Bhagavatam 1.8.42)*

OM TAT SAT

*Nota: Considerando o contexto em questão, tomei a liberdade de apresentar aqui minha própria tradução deste verso com a idéia de dar ênfase especial as palavrasudvahatad (possa transbordar) e ganga-iva-ogham(como as ondas do Ganges). Em relação ao vocativo “Madhu-pate”, Srila Prabhupada explica no “Ensinamentos da Rainha Kunti” que o significado específico deste nome é que ele se refere a Krishna como o matador do demônio Madhu (que também quer dizer mel). Em outras palavras, Krishna mata nossa atração pela falsa doçura deste mundo e nos mostra que na realidade Ele é que é a doçura personificada, o verdadeiro objeto do nosso amor.
Sempre recebo artigos lindos do grupo Amigos de Krishna, então resolvi repartir com vocês esta beleza.

- Cida Lopes também é cultura!!!!!!!

"Tenham um final de semana iluminado" Beijos.



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