19.8.16

Bambú - As sete verdades

Seja como o bambu: ele enverga mas não  quebra.

O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração.

- Primeira verdade e a mais importante: O bambu não se curva diante de problemas e de dificuldades.

- Segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também.

- Terceira verdade: Antes de crescer o bambu permite que nasçam outros a seu lado. Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore.

- Quarta verdade: O bambu nos ensina a não criar galhos. Como vive em moita (comunidade), o bambu não se permite criar ramificações e crescer para os lados. Não perde tempo com coisas insignificantes (às quais nós damos um valor inestimável).

Quinta verdade: O bambu é cheio de “nós” (e não de "eu’s"). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco.

Sexta verdade: O bambu é  vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes.

Por fim, a sétima verdade: O bambu só cresce para cima e para o alto. Essa é a sua meta.

11.6.16

Conheço a residência da dor.


Conheço a residência da dor.
É um lugar afastado,
Sem vizinhos, sem conversa, quase sem lágrimas,
Com umas imensas vigílias, diante do céu.

A dor não tem nome,
Não se chama, não atende.
Ela mesma é solidão:
nada mostra, nada pede, não precisa.
Vem quando quer.

O rosto da dor está voltado sobre um espelho,
Mas não é rosto de corpo,
Nem o seu espelho é do mundo.

Conheço pessoalmente a dor.
A sua residência, longe,
em caminhos inesperados.

Às vezes sento-me à sua porta, na sombra das suas árvores.
E ouço dizer:
“Quem visse, como vês, a dor, já não sofria”.
E olho para ela, imensamente.
Conheço há muito tempo a dor.
Conheço-a de perto.
Pessoalmente.

Cecília Meireles

24.4.16

50 CURIOSIDADES INTERESSANTÍSSIMAS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE A COR ROXO





A mais singular e extravagante de todas as cores. As pessoas mais a rejeitam do que a apreciam. É roxo, púrpura, violeta, lilás. A cor da magia, da teologia, do feminismo e do movimento gay. Do poder, da penitência e da sobriedade.

O roxo é muitas vezes associado com realeza, nobreza, riqueza, espiritualidade em todo o mundo. Historicamente no Japão, apenas os monges budistas da mais alta hierarquia vestiam roupas roxas. No catolicismo, significa a piedade e a fé.

No Brasil e na Tailândia, o roxo é uma cor de luto. É também a cor da honra – o Coração Roxo é a condecoração militar mais antiga ainda oferecida para membros do exército americano.

A mais antinatural das cores, a que faz a vaidade borbulhar e expõe todos os pecados ligados à beleza. O roxo realmente é a cor dos originais, das pessoas criativas e inconformistas.

Há muita coisa para aprender sobre esse tom! Hoje então, trazemos 50 curiosidades interessantíssimas. Inspire-se:


1) Para o ser humano, o roxo é cor mais difícil de se enxergar;

2) Tem sido utilizada no tratamento de distúrbios mentais porque estimula a área do cérebro de resolução de problemas, ajuda a equilibrar a mente e a transformar as obsessões e medos;

3) Associada a criatividade, o roxo é perfeito para pintar quartos, quartos de brinquedos, escritórios e áreas de lazer;

4) É calmante e está ligado à intuição e espiritualidade;

5) Dizem que as pessoas criativas e excêntricas são atraídas justamente por esse tom, por ele ser tão original;


6) Project Purple (projeto roxo) era o nome do primeiro projeto do iPhone quando estava sendo desenvolvido pela Apple;

7) Violeta ou lilás? Dizem que o violeta é a mistura de vermelho e azul. O lilás contém sempre branco. Mas na realidade existem muitas formas de chamar o roxo: lavanda, púrpura real, ultravioleta, vermelho púrpura, etc;

8) Existem 41 tons diferentes da cor, classificados pelo homem;

9) Quando se pergunta: “qual é a cor do púrpura?”, a maioria dos americanos ou ingleses dizem que corresponde ao da pedra ametista. Já os alemães dizem ser um vermelho luminoso, levemente azulado, mais conhecido como vermelho carmim;

10) Tirando o período em que esteve na moda, o violeta nunca foi muito apreciado pela maioria das pessoas. Para 12% das mulheres e 9% dos homens, o roxo é a cor que menos gostam. Apenas 3% citam como a sua predileta;


11) Na antiguidade, era cor dos que governavam, a cor do poder;

12) Em nenhuma outra cor se unem qualidades tão opostas como no roxo: é o vermelho e o azul, o masculino e o feminino, a sensualidade e espiritualidade;

13) Em 1908, uma inglesa popularizou 3 cores como símbolo do feminismo: violeta, branco e verde. Sua explicação: “o roxo, cor dos soberanos, simboliza o sangue real que corre pelas veias de cada mulher que luta pelo direito de voto, simboliza sua consciência da liberdade e dignidade. O branco é a honestidade na vida privada e na política. O verde é a esperança de um recomeço.”. O roxo também é uma cor simbólica para a comunidade gay em muitas culturas ocidentais;

14) Não existem muitos animais com essa cor, apenas flores e alguns alimentos. O lilás e o violeta são as cores mais raras na natureza. Esses dois nomes são, na maioria das línguas, idênticos aos das poucas flores que tem a cor;

15) O elemento químico iodo foi batizado em homenagem à flor violeta: em grego antigo, violeta é o íon, radical da onde surgiu iod. E quando o iodo é aquecido produz um vapor de coloração violeta;


16) Na Itália, dizem que artistas supersticiosos não entram no palco se eles têm que usar qualquer coisa roxa;

17) Há uma proximidade entre os termos “violeta” e “violência”. Em italiano, o nome da flor é viola – contudo, violenza é violência e violare corresponde ao verbo violar. Tanto na Inglaterra quanto na França, violência se diz violence, e em ambas temos tambémviolation, violação. É historicamente plausível que essa ligação tenha surgido em virtude da púrpura, pois o violeta púrpura era na antiguidade a cor dos governantes, que usavam da força contra o povo. Assim, essa cor tornou-se a do poder;

18) Na abadia de Westminster, em Londres, encontra-se uma cadeira em que, desde 1308, reis e rainhas da Inglaterra foram coroados. Seus braços são forrados de um veludo violeta, de tonalidade intensa. As coroas reais também são forrados dessa cor, assim como o carro em que as rainhas assistem as comemorações no dia de seu aniversário;

19) Nas Bíblias mais antigas, escritas à mão, as imagens de santos aparecem com frequência pintadas sobre um fundo roxo, cor mais conhecida artisticamente como violeta azulado;

20) Muitos nomes de mulheres são derivados do roxo: Viola, Violeta, Iolanda, Érika, Hortênsia, Malvina, todas que descendem de flores dessa mesma cor. Não existem nomes masculinos ligados ao mesmo motivo;


21) Antigamente o pigmento púrpuro real era extraído dos caracóis púrpura (caramujos espinhentos segundo zoólogos), encontrados no Mediterrâneo. Eles que deram nome à cor que hoje é chamada de roxo. Eles são encontrados até hoje nos mercados locais – não como matéria prima para tinturas, mas para serem consumidos como frutos do mar;

22) O roxo mais famoso de todos os tempos vinha da Fenícia (atual Líbano). Lá existem ainda conchas dos caramujos dispostas em camadas que medem vários metros de altura. São os resquícios da antiga produção em 1.500 A.C.;

23) É do muco desse caramujo que se fazia o pigmento. Antigamente, acreditavam que o roxo fosse a cor do sangue do caramujo. Punham eles em caldeirões e eram deixados apodrecendo – o que fazia com que produzissem mais muco, além de um cheiro insuportável. As cidades que produziam a tintura eram famosas por esse mau cheiro;

24) O púrpura é absolutamente à prova de luz. Por isso, a cor era considerada o tom da eternidade, num tempo em que quase todas as outras desbotavam. Esta aí a explicação de vários caixões serem forrados com o roxo;

25) Até hoje índios mexicanos usam o caramujo para produzir o roxo. Eles os colocam sobre fios embebidos em água do mar e deixam cair sobre eles, sumo de limão, para que eles produzam mais muco. Os fios, ao serem colocados no sol, se tingem em poucos minutos;


26) Em 1908, a tintura antiga foi analisada para tentar fabricá-la sinteticamente. Conforme as receitas antigas, 12 mil moluscos eram suficientes para tingir um lenço de bolso. Apesar dos caramujos serem baratos na Roma antiga, um fio da cor púrpura custava vinte vezes mais do que os tecidos mais caros. Com isso, o roxo era cor exclusiva dos que tinham dinheiro. Depois descobriram que o corante feito de moluscos era quimicamente quase idêntico ao obtido de plantas;

27) No Velho Testamento, o roxo é mencionado como algo de alto preço. Moisés recebe instruções de Deus sobre as cores dos véus dos templos e vestes sacerdotais, que deveriam ser púrpuras bordadas em ouro. Na época, vestir roxo era algo maior do que usar ouro;

28) No Império Romano, somente o imperador, sua mulher e o herdeiro podiam vestir túnicas da cor roxa. Quem usasse sem permissão era punido com a pena de morte. Júlio César deixou que seus senadores usassem faixas da cor, mas somente ele poderia usar uma túnica inteira. Cleópatra, rainha do Egito, tingiu de roxo a vela de seu barco;

29) Já percebeu que a cor é muito usada em embalagens de beleza? Isso porque ela simboliza poder, luxo e ambição;

30) No Brasil e na Tailândia, o roxo é uma cor de luto. Na Tailândia ainda é o relacionado com as viúvas;



31) Em 1453, a cor desapareceu. Foi quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, as tinturarias foram destruídas e os trabalhadores assassinados. A partir de então, a cor mais cara era o carmim, feita com piolhos;

32) No poker, as fichas roxas correspondem tradicionalmente à 500$;

33) Nos anos 60, foi criada uma mistura de pigmentos fluorescentes magentas e azuis que resultaram numa espécie de roxo que era muito usado em pinturas psicodélicas em fundo preto. Esse tom de púrpura foi muito popular entre os hippies e era a cor favorita de Jimi Hendrix, por isso ganhou o nome de Roxo Psicodélico;

34) Na decoração de casas, o lilás mais claro traz delicadeza e romantismo. Roxos leves evocam sentimentos românticos e nostálgicos, principalmente quando acompanhados de rosa. Muita gente associa a cor escura com melancolia e sentimentos tristes, mas para os criativos, esses tons deixam os ambientes super modernos;

35) Em Breaking Bad, quando Marie está no hospital cuidando das lesões de Hank , Walter Jr. usa roxo, aparentemente em apoio a personagem. Dá para notar de cara que Marie usa roxo o tempo todo. São raras as ocasiões em que ela não está usando essa cor. Até a sua casa é decorada assim. Em todas as outras vezes que Marie usa outra cor, podemos ver claramente que algo está errado com ela no seriado;


36) Purple Diet: durante 3 dias da semana, Mariah Carrey come alimentos roxos que são ricos em antioxidantes. Isso porque os eles baixam o colesterol e previnem doenças cardíacas. As frutas e vegetais dessa cor são fonte de antioxidantes, antocianina, fibras e vitamina B, aliados na redução do colesterol ruim. Quer alguns exemplos? Açaí, amora, cebola roxa, ameixa, beringela, repolho roxo, batata doce roxa, uva;

37) Dizem que vestir roxo no primeiro encontro com uma pessoa é uma ótima forma de mostrar que você é uma pessoa intuitiva, sensitiva e criativa;

38) E segundo uma pesquisa de uma marca de detergente britânica, homens vestidos de roxo fazem mais sucesso entre as mulheres. A cor da roupa pode influenciar na hora de aceitar ou não um convite para sair com alguém. Mais de 60% da ala feminina contou que isso é essencial para a decisão de investir ou não no cara. E o roxo apareceu como a cor preferida delas: 36% topariam sair com um homem com camisa dessa cor. O preto ficou em segundo na preferência feminina. As cores menos amadas são azul e rosa. Vai entender!

39) Assim como o azul, a cor violeta pode aliviar enxaquecas. De acordo com a cromoterapia, uma boa forma de conseguir se sentir melhor é estar num ambiente lilás, mentalizá-la ou olhar fixamente para a cor;

40) Antigamente, diziam que as coroas de flores violeta usadas na cabeça protegiam contra dores de cabeça e ressaca. A pedra ametista, da mesma cor, também tinha mesmo efeito. Quem usasse estaria protegido contra a bebedeira. Daí que veio o nome da pedra, a palavra grega amethysos, que significa “não bebâdo”. A superstição veio da alta sociedade, que costumava beber em copos de ametista polida. Nesses copos não havia como distinguir a água do vinho. Quem quisesse permanecer sóbrio continuaria no banquete bebendo água e passaria desapercebido;


41) Dizem que os olhos da famosa artista Elizabeth Taylor era violeta lavanda. A variação da cor é causada pela pouca melanina, que dá a pigmentação, associada com os vasos sanguíneos vermelhos, causando uma coloração meia azulada/violeta da íris. Geralmente essa cor de olhos é encontrada em bebês recém-nascidos, mas com o decorrer do tempo podem escurecer. A atriz era um bom exemplo de portadora desta característica;

42) Quando Elizabeth Taylor esteve casada com o político republicano John Warner e o acompanhava em suas campanhas, era proibida de usar o violeta – sua cor predileta. Isso porque o partido achava que uma cor usada apenas pela nobreza não era adequada aos republicanos. Quando Warner venceu as eleições, Elisabeth celebrou usando uma calça e um paletó na cor roxa;

43) O roxo é a cor da vaidade, considerada antigamente um dos sete pecados mortais. Muitos perfumes sugerem isso em suas embalagens e mostram com o tom, um produto arrebatador. Caixas de joias são forradas com veludo da cor (principalmente na Inglaterra). Ela também é a preferida para embrulhar pecados doces, como os chocolates da Cadbury e Milka;

44) O roxo simboliza a magia presente em toda a comemoração de Halloween. As bruxas e feiticeiros sempre vestiram uma túnica desse tom. Isso porque diziam que é a cor mais íntima do arco-íris, que marca a fronteira do visível com o invisível. Antes de cair a noite, é ela que antecede a cor da escuridão total;

45) O roxo simboliza o lado sinistro da fantasia, tornar o possível o impossível. Na psicologia moderna, é a cor dos alucinógenos, que abrem a consciência a estímulos irreais. Curiosamente, nos anos 70, quando o tema da época era exatamente a “expansão da consciência”, o roxo foi eleito a cor da moda, bem quando a banda Deep Purple alcançava sua fama;


46) No esoterismo, o violeta é a cor dos chakras do cérebro, onde se concentram os sentimentos e a inteligência;

47) Não existe nenhuma combinação de cores que seja mais ousada do que essa: violeta e laranja. Enquanto o laranja traz alegria, o roxo agrega sua originalidade;

48) O lilás, um roxo clareado com branco, era antigamente a cor das solteironas. As mulheres que não se casavam, que eram muito velhas para usar cor de rosa (cor das moças solteiras), vestiam lilás para dizer ao mundo: “apesar da minha idade um pouco avançada, estou disponível para casamento”. Na época, somente as mulheres usavam a cor, daí o seu sentido ligado ao lado sexual. A cor também era muito usada em cosméticos para senhoras mais maduras, e cheiravam lavanda, violeta e alecrim;

49) O roxo está muito ligado a sexualidade. Há tempos atrás, diziam que ele continha mais “imoralidade” do que o vermelho. Oscar Wilde chamou a sexualidade proibida de “as horas violetas no tempo cinzento”. E nos EUA, até hoje existe um coquetel famoso chamado “purple passion” (paixão púrpura), que em virtude de seu alto teor alcóolico, promete um sexo livre de inibições;

50) A luz violeta por ter o menor comprimento de onda é a mais energética. Acima da frequência do violeta (comprimentos de onda menores do que 390 nm até 15 nm) a luz passa a não ser mais visível, chamando-se ultravioleta. Talvez isso explique porque roxo está associado com a energia sobrenatural do universo, do cosmos, do que conhecemos como o mundo físico;





Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

22.2.16

Aromatização do azeite de oliva com alfazema...huuuuum!

AZEITE DE OLIVA ESPANHOL COM ALFAZEMA



A alfazema nasceu na Ásia, mas foram os gregos que mais usaram esta erva tão perfumada. Daí a confusão de origem ser mediterrânea.
 No começo os gregos usavam a alfazema na água do banho e para perfumar as roupas, mas logo se espalhou pela Europa e não tardou a uso certo na medicina caseira.
 No Brasil a sua chegada só foi bem mais tarde, no século XVI, pelas mãos dos colonizadores.
O que não faltam são os benefícios para a saúde da alfazema.
 Na aromaterapia, por exemplo, ela é considerada o óleo essencial básico para praticamente todos os tratamentos. 
Seu aroma é usado paratranqüilizar o sistema nervoso deixando as pessoas mais serenas.

A alfazema (Lavandula officinalis) da família das labiadas e conhecida como lavanda.
 Trata-se de um arbusto pequeno, no máximo um metro de altura e com lindas flores de cor azul-violácea .
Da alfazema se aproveita todas as partes das plantas e nelas encontram-se substâncias com princípios ativos , inclusive os fitosteróis e flavonóides, que agem como antioxidante, protegendo o organismo contra o ataque de doenças.
Os princípios ativos da alfazema agem positivamente no tratamento de dor de cabeça, para deixar as pessoas mais calmas e ideais depois de um dia estressado.
A alfazema também tem lugar certo na culinária devido ao sabor doce e perfumado da erva. Com ela preparam-se geléias, aromatizam-se vinagres, azeite de oliva, açúcar e cremes e é um dos ingredientes das ervas à Provençal.
Aromatize o azeite de oliva espanhol com alfazema
Uma maneira fácil de ter sempre lavanda às mãos lavanda é aromatizando o azeite de oliva. Assim, depois de um dia estressado e nervoso uma boa salada regada com o azeite aromatizado pode-se ajudar a reverter o quadro. Ou ainda: coma pão ou queijo com azeite de oliva e alfazema. Vale a pena experimentar!
A aromatização do azeite de oliva com alfazema é ímpar e bem criativa. O azeite de oliva ganha uma apresentação elegante, aroma adocicado e bem perfumado. Ideal para temperar frango e coelho assados.

Rendimento:
42 colheres (sopa) de 10 g
Tempo de preparo: 25 minutos

Ingredientes

5 colheres (sopa) de flores de alfazema desidratadas . 7,5 g
2 e 1/2 xícaras (chá) de azeite de oliva extravirgem espanhol . 500 g

Modo de Fazer

Espalhe as flores de alafazema em uma assadeira. Leve ao fogo bem baixo, por 3 minutos ou até as flores ficarem bem secas. Retire do fogo e transfira para o copo do processador. Junte o azeite de oliva e bata por 30 segundos.
Transfira o purê para uma tigela e deixe descansar por 10 minutos.
Em seguida, despeje e mistura em um recipiente de vidro esterilizado e bem seco (capacidade para 500 g).
Ideal para temperar frango e coelho assados.

Valor nutricional por cada colher das de sopa
105 calorias; 0 de carboidratos; 0 de proteínas; 12 g de gorduras totais (2 g de saturada, 9 g de monoinsaturada e 1 g de poliinsaturada); 0 de colesterol; 0 de fibras; 0,1 mg de ferro, e 0 de cálcio.
                                                                     
Fonte: ganhebusqueaqui.blogspot

5.2.16

10 dicas para melhorar Vivendo com Lúpus



Passos inteligentes para Prevenir lúpus :




Opções de vida saudáveis ​​são uma parte importante de viver com lúpus. "Esta doença auto-imune pode causar uma série de inflamação, mais comumente em sua pele e articulações. Mas lúpus também pode afetar outras partes do corpo ", diz Olivia Ghaw, MD, professor assistente de reumatologia da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai. Aprender a gerir os desafios diários de uma doença que é tanto crônica e imprevisível é a chave para viver bem com lúpus.


Reduzir o stress para reduzir lúpus :



Um súbito agravamento dos sintomas do lúpus é chamado de flare. "O estresse pode aumentar a chance de ter uma crise do lúpus e aumentar a dor lupus quando os sintomas estão ativos, por isso um estilo de vida de baixo estresse é melhor", diz Dr. Ghaw. Parece impossível? O primeiro passo é identificar todas as fontes de estresse em sua vida. Pedir ajuda quando você tem sintomas do lúpus que limitam o seu funcionamento - como dor, rigidez e fadiga - é uma maneira de reduzir o estresse. Ter tempo para si mesmo e encontrar atividades que ajudam você a relaxar e aliviar o stress são outros.

Exercício para a Redução de Stress e Saúde comum:



"O exercício regular é importante para as pessoas com lúpus, a fim de manter um peso saudável. A obesidade tem sido associada a um aumento da inflamação, assim que o exercício é bom para a saúde das articulações e reduzir a dor nas articulações - e ele não tem que ser extremo "Na verdade, você deve evitar exercícios de alto impacto.. Um programa regular de exercício de baixo impacto, como natação ou a pé, pode ajudar a reduzir o estresse, melhorar a força e movimento, e reduzir o risco de osteoporose e doenças cardíacas. Pergunte ao seu médico quais exercícios são melhores para você.


Comer uma dieta saudável:




"Enquanto não há tal coisa como uma dieta lúpus, há uma forte ligação entre o lúpus e doenças cardíacas, assim que uma dieta saudável para o coração é essencial", diz Ghaw. Construa a sua dieta em torno de lotes de frutas e legumes, bem como grãos inteiros. Para a proteína, para manter os peixes e aves, em vez de carne vermelha. Também certifique-se de começar a abundância de cálcio para a saúde óssea e articular. Se a retenção de líquidos ou pressão arterial elevada é um problema para você, reduzir o consumo de sal.


Durma o suficiente:




Um dos sintomas do lúpus mais problemáticos é a fadiga. Ela afeta cerca de 80 por cento das pessoas com a doença. "A falta de sono pode contribuir para a fadiga, e também tem sido associada a um aumento da sensibilidade à dor", diz Ghaw. fadiga relacionada com o lúpus também tem sido associada a uma falta de exercício, outra preocupação. Obter pelo menos sete horas de sono todas as noites e dar tempo para descansar durante o dia. Você pode até querer tirar uma soneca quando possível, mas não passar o dia todo na cama. Uma vez que você dormiu um bom número de horas, se levantar e se mexer.


Tempo de exposição ao sol:




Dois terços das pessoas com lúpus têm aumento da sensibilidade à luz ultravioleta. "A exposição ao sol pode desencadear uma crise do lúpus. Além disso, muitos dos medicamentos utilizados para tratar o lúpus pode torná-lo mais sensível ao sol. Isso significa usar protetor solar e encobrir quando sair no sol ", diz Ghaw. Ao selecionar um protetor solar, escolha um mínimo de SPF 30 e cobertura de amplo espectro para os raios UVA e UVB.


Considere Vitamina D:




A avaliação do efeito da vitamina D sobre o lúpus, publicado em 2013 na revista PLoS ONE, a pesquisa identificou 10 estudos que encontraram que uma diminuição nos níveis de vitamina D foi associada com um aumento dos sintomas do lúpus. "A falta de exposição ao sol pode contribuir para a deficiência de vitamina D. Não está claro se o lúpus leva a níveis baixos de vitamina D ou baixo nível de vitamina D leva ao lúpus. suplementos de vitamina D pode ser usado se os níveis são baixos ", diz Ghaw. Fale com o seu médico sobre se esta é uma boa opção para você.


Não fume:







"Fumar tem sido associada ao aumento da inflamação, o que é especialmente ruim se você tem lúpus. O fumo também está ligado ao aumento [risco de] doenças cardíacas e câncer, o que é ruim para todo mundo ", diz Ghaw. Além disso, o tabagismo aumenta o risco de endurecimento das artérias, chamado de aterosclerose, e as pessoas com lúpus já estão em maior risco do que as pessoas sem lúpus. Fumar também tem sido associada a erupções lúpus e agravamento dos sintomas do lúpus.



Pergunte ao seu médico sobre o Álcool:





Beber álcool de forma responsável geralmente não é um problema para as pessoas com lúpus, mas existem algumas situações em que você precisa ter cuidado extra. O álcool pode interferir com alguns medicamentos usados ​​para tratar lúpus, tais como metotrexato - pode ser menos eficaz se você beber bebidas alcoólicas. Se você está tomando uma droga over-the-counter não esteróides anti-inflamatórios (AINE), como o ibuprofeno ou o naproxeno, o risco de sangramento no estômago chateado e interna pode aumentar com o uso de álcool.


Obter algum apoio:




"Sintomas do lúpus podem incluir ansiedade e depressão, que não é surpreendente para uma doença crônica e imprevisível. Muitas pessoas com lúpus achar que o apoio da família, amigos, ou um grupo de apoio ajuda-los a lidar com os sintomas do lúpus e flares ", diz Ghaw. Um grupo de apoio, seja online ou em pessoa, pode ser uma valiosa fonte de conselhos e conforto. Ghaw recomenda fortemente a Lupus Foundation of Americafor ajuda para encontrar um na sua área.


Levar a sério a sua Lúpus:




Pessoas com lúpus que tomam um papel activo na gestão da doença pode eventualmente aprender seus gatilhos e início dos sintomas bem o suficiente para prever ou prevenir uma crise do lúpus, diz Ghaw. "Apanhar um tratamento precoce torna o tratamento mais eficaz. A chave é trabalhar em estreita colaboração com o seu médico. "Quanto mais você souber sobre o seu lúpus, o melhor que você vai estar em gerir sintomas do lúpus.



Fonte: http: news.infohubweb.info

17.1.16

Clarice Lispector


O ovo e a galinha


De manhã na cozinha sobre a mesa vejo o ovo. 
Olho o ovo com um só olhar. Imediatamente percebo que não se pode estar vendo um ovo. Ver o ovo nunca se mantêm no presente: mal vejo um ovo e já se torna ter visto o ovo há três milênios. – No próprio instante de se ver o ovo ele é a lembrança de um ovo. – Só vê o ovo quem já o tiver visto. – Ao ver o ovo é tarde demais: ovo visto, ovo perdido. – Ver o ovo é a promessa de um dia chegar a ver o ovo. – Olhar curto e indivisível; se é que há pensamento; não há; há o ovo. – Olhar é o necessário instrumento que, depois de usado, jogarei fora. Ficarei com o ovo. – O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe. 

Ver o ovo é impossível: o ovo é supervisível como há sons supersônicos. Ninguém é capaz de ver o ovo. O cão vê o ovo? Só as máquinas vêem o ovo. O guindaste vê o ovo. – Quando eu era antiga um ovo pousou no meu ombro. – O amor pelo ovo também não se sente. O amor pelo ovo é supersensível. A gente não sabe que ama o ovo. – Quando eu era antiga fui depositária do ovo e caminhei de leve para não entornar o silêncio do ovo. Quando morri, tiraram de mim o ovo com cuidado. Ainda estava vivo. – Só quem visse o mundo veria o ovo. Como o mundo o ovo é óbvio. 

O ovo não existe mais. Como a luz de uma estrela já morta, o ovo propriamente dito não existe mais. – Você é perfeito, ovo. Você é branco. – A você dedico o começo. A você dedico a primeira vez. 

Ao ovo dedico a nação chinesa. 

O ovo é uma coisa suspensa. Nunca pousou. Quando pousa, não foi ele quem pousou. Foi uma coisa que ficou embaixo do ovo. – Olho o ovo na cozinha com atenção superficial para não quebrá-lo. Tomo o maior cuidado de não entendê-lo. Sendo impossível entendê-lo, sei que se eu o entender é porque estou errando. Entender é a prova do erro. Entendê-lo não é o modo de vê-lo. – Jamais pensar no ovo é um modo de tê-lo visto. – Será que sei do ovo? É quase certo que sei. Assim: existo, logo sei. – O que eu não sei do ovo é o que realmente importa. O que eu não sei do ovo me dá o ovo propriamente dito. – A Lua é habitada por ovos. 

O ovo é uma exteriorização. Ter uma casca é dar-se.- O ovo desnuda a cozinha. Faz da mesa um plano inclinado. O ovo expõe. – Quem se aprofunda num ovo, quem vê mais do que a superfície do ovo, está querendo outra coisa: está com fome. 

O ovo é a alma da galinha. A galinha desajeitada. O ovo certo. A galinha assustada. O ovo certo. Como um projétil parado. Pois ovo é ovo no espaço. Ovo sobre azul. – Eu te amo, ovo. Eu te amo como uma coisa nem sequer sabe que ama outra coisa. – Não toco nele. A aura de meus dedos é que vê o ovo. Não toco nele – Mas dedicar-me à visão do ovo seria morrer para a vida mundana, e eu preciso da gema e da clara. – O ovo me vê. O ovo me idealiza? O ovo me medita? Não, o ovo apenas me vê. É isento da compreensão que fere. – O ovo nunca lutou. Ele é um dom. – O ovo é invisível a olho nu. De ovo a ovo chega-se a Deus, que é invisível a olho nu. – O ovo terá sido talvez um triângulo que tanto rolou no espaço que foi se ovalando. – O ovo é basicamente um jarro? Terá sido o primeiro jarro moldado pelos etruscos ? Não. O ovo é originário da Macedônia. Lá foi calculado, fruto da mais penosa espontaneidade. Nas areias da Macedônia um homem com uma vara na mão desenhou-o. E depois apagou-o com o pé nu. 

O ovo é coisa que precisa tomar cuidado. Por isso a galinha é o disfarce do ovo. Para que o ovo atravesse os tempos a galinha existe. Mãe é para isso. – O ovo vive foragido por estar sempre adiantado demais para a sua época. – O ovo por enquanto será sempre revolucionário. – Ele vive dentro da galinha para que não o chamem de branco. O ovo é branco mesmo. Mas não pode ser chamado de branco. Não porque isso faça mal a ele, mas as pessoas que chamam ovo de branco, essas pessoas morrem para a vida. Chamar de branco aquilo que é branco pode destruir a humanidade. Uma vez um homem foi acusado de ser o que ele era, e foi chamado de Aquele Homem. Não tinham mentido: Ele era. Mas até hoje ainda não nos recuperamos, uns após outros. A lei geral para continuarmos vivos: pode-se dizer “um rosto bonito”, mas quem disser “O rosto”, morre; por ter esgotado o assunto. 

Com o tempo, o ovo se tornou um ovo de galinha. Não o é. Mas, adotado, usa-lhe o sobrenome. – Deve-se dizer “o ovo da galinha”. Se eu disser apenas “o ovo”, esgota-se o assunto, e o mundo fica nu. – Em relação ao ovo, o perigo é que se descubra o que se poderia chamar de beleza, isto é, sua veracidade. A veracidade do ovo não é verossímil. Se descobrirem, podem querer obrigá-lo a se tornar retangular. O perigo não é para o ovo, ele não se tornaria retangular. (Nossa garantia é que ele não pode: não poder é a grande força do ovo: sua grandiosidade vem da grandeza de não poder, que se irradia como um não querer.) Mas quem lutasse por torná-lo retangular estaria perdendo a própria vida. O ovo nos expõe, portanto, em perigo. Nossa vantagem é que o ovo é invisível. E quanto aos iniciados, os iniciados disfarçam o ovo. 

Quanto ao corpo da galinha, o corpo da galinha é a maior prova de que o ovo não existe. Basta olhar para a galinha para se tornar óbvio que o ovo é impossível de existir. 

E a galinha? O ovo é o grande sacrifício da galinha. O ovo é a cruz que a galinha carrega na vida. O ovo é o sonho inatingível da galinha. A galinha ama o ovo. Ela não sabe que existe o ovo. Se soubesse que tem em si mesma o ovo, perderia o estado de galinha. Ser galinha é a sobrevivência da galinha. Sobreviver é a salvação. Pois parece que viver não existe. Viver leva a morte. Então o que a galinha faz é estar permanentemente sobrevivendo. Sobreviver chama-se manter luta contra a vida que é mortal. Ser galinha é isso. A galinha tem o ar constrangido. 

É necessário que a galinha não saiba que tem um ovo. Senão ela se salvaria como galinha, o que também não é garantido, mas perderia o ovo. Então ela não sabe. Para que o ovo use a galinha é que a galinha existe. Ela era só para se cumprir, mas gostou. O desarvoramento da galinha vem disso: gostar não fazia parte de nascer. Gostar de estar vivo dói. – Quanto a quem veio antes, foi o ovo que achou a galinha. A galinha não foi sequer chamada. A galinha é diretamente uma escolhida. – A galinha vive como em sonho. Não tem senso de realidade. Todo o susto da galinha é porque estão sempre interrompendo o seu devaneio. A galinha é um grande sono. – A galinha sofre de um mal desconhecido. O mal desconhecido é o ovo. – Ela não sabe se explicar: “ sei que o erro está em mim mesma”, ela chama de erro a vida, “não sei mais o que sinto”, etc. 

“Etc., etc., etc.,” é o que cacareja o dia inteiro a galinha. A galinha tem muita vida interior. Para falar a verdade a galinha só tem mesmo é vida interior. A nossa visão de sua vida interior é o que chamamos de “galinha”. A vida interior na galinha consiste em agir como se entendesse. Qualquer ameaça e ela grita em escândalo feito uma doida. Tudo isso para que o ovo não se quebre dentro dela. Ovo que se quebra dentro de galinha é como sangue. 

A galinha olha o horizonte. Como se da linha do horizonte é que viesse vindo um ovo. Fora de ser um meio de transporte para o ovo, a galinha é tonta, desocupada e míope. Como poderia a galinha se entender se ela é a contradição de um ovo? O ovo ainda é o mesmo que se originou na Macedônia. A galinha é sempre tragédia mais moderna. Está sempre inutilmente a par. E continua sendo redesenhada. Ainda não se achou a forma mais adequada para uma galinha. Enquanto meu vizinho atende ao telefone ele redesenha com lápis distraído a galinha. Mas para a galinha não há jeito: está na sua condição não servir a si própria. Sendo, porém, o seu destino mais importante que ela, e sendo o seu destino o ovo, a sua vida pessoal não nos interessa. 

Dentro de si a galinha não reconhece o ovo, mas fora de si também não o reconhece. Quando a galinha vê o ovo pensa que está lidando com uma coisa impossível. É com o coração batendo, com o coração batendo tanto, ela não o reconhece. 

De repente olho o ovo na cozinha e vejo nele a comida. Não o reconheço, e meu coração bate. A metamorfose está se fazendo em mim: começo a não poder mais enxergar o ovo. Fora de cada ovo particular, fora de cada ovo que se come, o ovo não existe. Já não consigo mais crer num ovo. Estou cada vez mais sem força de acreditar, estou morrendo, adeus, olhei demais um ovo e ele me foi adormecendo. 

A galinha não queria sacrificar a sua vida. A que optou por querer ser “feliz”. A que não percebia que, se passasse a vida desenhando dentro de si como numa iluminura o ovo, ela estaria servindo. A que não sabia perder-se a si mesma. A que pensou que tinha penas de galinha para se cobrir por possuir pele preciosa, sem entender que as penas eram exclusivamente para suavizar, a travessia ao carregar o ovo, porque o sofrimento intenso poderia prejudicar o ovo. A que pensou que o prazer lhe era um dom, sem perceber que era para que ela se distraísse totalmente enquanto o ovo se faria. A que não sabia que “eu” é apenas uma das palavras que se desenham enquanto se atende ao telefone, mera tentativa de buscar forma mais adequada. A que pensou que “eu” significa ter um si-mesmo. As galinhas prejudiciais ao ovo são aquelas que são um “eu” sem trégua. Nelas o “eu” é tão constante que elas já não podem mais pronunciar a palavra “ovo”. Mas, quem sabe, era disso mesmo que o ovo precisava. Pois se elas não estivessem tão distraídas, se prestassem atenção à grande vida que se faz dentro delas, atrapalhariam o ovo. 

Comecei a falar da galinha e há muito já não estou falando mais da galinha. Mas ainda estou falando do ovo. 

E eis que não entendo o ovo. Só entendo o ovo quebrado: quebro-o na frigideira. É deste modo indireto que me ofereço à existência do ovo: meu sacrifício é reduzir-me à minha própria vida pessoal. Fiz do meu prazer e da minha dor o meu destino disfarçado. E ter apenas a própria vida é, para quem viu o ovo, um sacrifício. Como aqueles que, no convento, varrem o chão e lavam a roupa, servindo sem a glória de função maior, meu trabalho é o de viver os meus prazeres e as minhas dores. É necessário que eu tenha a modéstia de viver. 

Pego mais um ovo na cozinha, quebro-lhe a casca e forma. E a partir deste instante exato nunca existiu um ovo. É absolutamente indispensável que eu seja uma ocupada e uma distraída. Sou indispensavelmente um dos que renegam. Faço parte da maçonaria dos que viram uma vez o ovo e o renegam como forma de protegê-lo. Somos os que se abstêm de destruir, e nisso se consomem. Nós, agentes disfarçados e distribuídos pelas funções menos reveladoras, nós às vezes nos reconhecemos. A um certo modo de olhar, há um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e a isto chamamos de amor. E então, não é necessário o disfarce: embora não se fale, também não se mente, embora não se diga a verdade, também não é necessário dissimular. Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele, corromperiam o ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agentes, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido adivinhar vagamente. 

A todos os agentes são dadas muitas vantagens para que o ovo se faça. Não é o caso de se ter inveja pois, inclusive algumas das condições, piores do que as dos outros, são apenas as condições ideais para o ovo. Quanto ao prazer dos agentes, eles também o recebem sem orgulho. Austeramente vivem todos os prazeres: inclusive é o nosso sacrifício para que o ovo se faça. Já nos foi imposta, inclusive uma natureza adequada a muito prazer. O que facilita. Pelo menos torna menos penoso o prazer. 

Há casos de agentes que se suicidam: acham insuficientes as pouquíssimas instruções recebidas e se sentem sem apoio. Houve o caso do agente que revelou publicamente ser agente porque lhe foi intolerável não ser compreendido, e ele não suportava mais não ter o respeito alheio: morreu atropelado quando saía de um restaurante. Houve um outro que nem precisou ser eliminado: ele próprio se consumiu lentamente na sua revolta, sua revolta veio quando ele descobriu que as duas ou três instruções recebidas não incluíam nenhuma explicação. Houve outro também eliminado, porque achava que “a verdade deve ser corajosamente dita”, e começou em primeiro lugar a procurá-la; dele se disse que morreu em nome da verdade com sua inocência; sua aparente coragem era tolice, e era ingênuo o seu desejo de lealdade, ele compreendera que ser leal não é coisa limpa, ser leal é ser desleal para com todo o resto. Esses casos extremos de morte não são por crueldade. É que há um trabalho, digamos cósmico, a ser feito, e os casos individuais infelizmente não podem ser levados em consideração. Para os que sucumbem e se tornam individuais é que existem as instituições, a caridade, a compreensão que não discrimina motivos, a nossa vida humana enfim. 

Os ovos estalam na frigideira, e mergulhada no sonho preparo o café da manhã. Sem nenhum senso da realidade, grito pelas crianças que brotam de várias camas, arrastam cadeiras e comem, e o trabalho do dia amanhecido começa, gritado e rido e comido, clara e gema, alegria entre brigas, dia que é o nosso sal e nós somos o sal do dia, viver é extremamente tolerável, viver ocupa e distrai, viver faz rir. 

E me faz sorrir no meu mistério. O meu mistério é que eu ser apenas um meio, e não um fim, tem-me dado a mais maliciosa das liberdades: não sou boba e aproveito. Inclusive, faço um mal aos outros que, francamente. O falso emprego que me deram para disfarçar a minha verdadeira função, pois aproveito o falso emprego e dele faço o meu verdadeiro; inclusive o dinheiro que me dão como diária para facilitar a minha vida de modo a que o ovo se faça, pois esse dinheiro eu tenho usado para outros fins, desvio de verba, ultimamente comprei ações na Brahma e estou rica. A isso tudo ainda chamo de ter a necessária modéstia de viver. E também o tempo que me deram, e que nos dão apenas para que no ócio honrado o ovo se faça, pois tenho usado esse tempo para prazeres ilícitos e dores ilícitas, inteiramente esquecida do ovo. Esta é a minha simplicidade. 

Ou é isso mesmo que eles querem que me aconteça, exatamente para que o ovo se cumpra? É liberdade ou estou sendo mandada? Pois venho notando que tudo que é erro meu tem sido aproveitado. Minha revolta é que para eles eu não sou nada, eu sou apenas preciosa: eles cuidam de mim segundo por segundo, com a mais absoluta falta de amor; sou apenas preciosa. Com o dinheiro que me dão, ando ultimamente bebendo. Abuso de confiança? Mas é que ninguém sabe como se sente por dentro aquele cujo emprego consiste em fingir que está traindo, e que termina acreditando na própria traição. Cujo emprego consiste em diariamente esquecer. Aquele de quem é exigida a aparente desonra. Nem meu espelho reflete mais um rosto que seja meu. Ou sou um agente, ou é a traição mesmo. 

Mas durmo o sono dos justos por saber que minha vida fútil não atrapalha a marcha do grande tempo. Pelo contrário: parece que é exigido de mim que eu seja extremamente fútil, é exigido de mim inclusive que eu durma como justo. Eles me querem preocupada e distraída, e não lhes importa como. Pois, com minha atenção errada e minha tolice grave, eu poderia atrapalhar o que se está fazendo através de mim. É que eu própria, eu propriamente dita, só tenho mesmo servido para atrapalhar. O que me revela que talvez eu seja um agente é a idéia de que meu destino me ultrapassa: pelo menos isso eles tiveram mesmo que me deixar adivinhar, eu era daqueles que fariam mal o trabalho se ao menos não adivinhassem um pouco; fizeram-me esquecer o que me deixaram adivinhar, mas vagamente ficou-me a noção de que meu destino me ultrapassa, e de que sou instrumento do trabalho deles. Mas de qualquer modo era só instrumento que eu poderia ser, pois o trabalho não poderia ser mesmo meu. Já experimentei me estabelecer por conta própria e não deu certo; ficou-me até hoje essa mão trêmula. Tivesse eu insistido um pouco mais e teria perdido para sempre a saúde. Desde então, desde essa malograda experiência, procuro raciocinar desse modo: que já me foi dado muito, que eles já me concederam tudo o que pode ser concedido; e que os outros agentes, muito superiores a mim, também trabalharam apenas para o que não sabiam. E com as mesmas pouquíssimas instruções. Já me foi dado muito; isto, por exemplo: uma vez ou outra, com o coração batendo pelo privilégio, eu pelo menos sei que não estou reconhecendo! Com o coração batendo de emoção, eu pelo menos não compreendo! Com o coração batendo de confiança, eu pelo menos não sei. 

Mas e o ovo? Este é um dos subterfúgios deles: enquanto eu falava sobre o ovo, eu tinha esquecido do ovo. “Falai, falai”, instruíram-me eles. E o ovo fica inteiramente protegido por tantas palavras. Falai muito, é uma das instruções, estou tão cansada. 

Por devoção ao ovo, eu o esqueci. Meu necessário esquecimento. Meu interesseiro esquecimento. Pois o ovo é um esquivo. Diante de minha adoração possessiva ele poderia retrair-se e nunca mais voltar. Mas se ele for esquecido. Se eu fizer o sacrifício de esquecê-lo. Se o ovo for impossível. Então – livre, delicado, sem mensagem alguma para mim – talvez uma vez ainda ele se locomova do espaço até esta janela que desde sempre deixei aberta. E de madrugada baixe no nosso edifício. Sereno até a cozinha. Iluminando-a de minha palidez 


Clarice Lispector
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